NINGUÉM É INSUBSTITUÍVEL
Em março de 2004 fui tentar a sorte Buenos Aires. Aluguei apartamento com alguns amigos, contratei uma professora particular de espanhol e comecei a procurar alunos particulares e trabalho em academias.
Para não perder contato com a egrégora do Método DeRose, me inscrevi na Sede Decana de Buenos Aires como aluna, comecei a fazer aulas com o Mestre Edgardo Caramella e a fazer gurusêvá na Unidade Recoleta.
Mais ou menos dois meses depois o Mestre De Rose foi ministrar cursos na capital portenha, e eu fui prestigiá-lo.
Após o curso participei de um jantar com os instrutores. Na ocasião, conversei com DeRose sobre minha nova vida em Buenos Aires, minhas dificuldades e expectativas. Foi quando a sua esposa, Professora Fernanda Neis, me convidou para trabalhar com ela em São Paulo, na Sede Central. Lembro-me claramente da sensação de surpresa, alegria, emoção e medo, tudo ao mesmo tempo.
Após algum tempo de silêncio, refletindo, perguntei: você está precisando de pessoas em sua equipe? E a essa pergunta Fernanda respondeu: não estou precisando de ninguém, mas você pode fazer uma experiência comigo de um mês. Se passar na experiência, pode ficar.
No dia seguinte decidi ir para São Paulo, e foi a melhor decisão que já tomei na minha vida.
Achei incrível o que a Fernanda disse: não estou precisando de ninguém. Com essas palavras ela deixou claro que eu não era imprescindível e que, por mais que ela gostasse de mim, eu precisaria trabalhar duro para garantir o meu lugar na equipe.
Lembro-me também que ao saber que eu iria trabalhar na Sede Central em São Paulo, meu então Monitor, Professor Joris Marengo, me aconselhou: lembre-se que ninguém é insubstituível.
Pensei muito no que o Jojó disse. Nunca havia pensado nisso antes. Todas as pessoas gostam de se sentir necessárias, imprescindíveis, indispensáveis, mas isso não passa de uma ilusão.
Todos são substituíveis. Qualquer pessoa, com algum treinamento, consegue executar as tarefas de outra pessoa. As empresas, regularmente, trocam seus antigos funcionários por outros, mais novos e mais baratos, e estes realizam o trabalho tão bem quanto e às vezes melhor e com mais afinco do que o mais antigo, pela necessidade.
Quando nos acomodamos em nosso trabalho, perdemos a empolgação, e rendemos menos. A segurança no trabalho leva à falta de dedicação, uma vez que não há mais a necessidade de garantir o seu lugar. Mas pensar e agir assim é um erro.
Observe as pessoas ao seu redor: quem não seria facilmente substituído por outra pessoa? Consigo pensar em pouquíssimas pessoas que eu considero realmente insubstituíveis.
Eu sou substituível, e você também é. E não há nada se possa fazer para mudar esse fato, além trabalhar sempre com muita seriedade, dedicação e competência.
Com essa atitude, pelo menos, você terá a certeza de que, apesar de poder ser substituído por qualquer pessoa, dificilmente alguém fará esse trabalho tão bem quanto você. E as pessoas ao redor percebem e valorizam isso.
É preciso ter um diferencial, ser único, para ser considerado, quem sabe, um dia, insubstituível.
“Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons, mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.” [Bertold Brecht]

